Política

Mulheres na política

Dos 295 municípios catarinenses, 24 têm mulheres prefeitas.

Sisi Blind
Foto: Divulgação

A participação das mulheres na política será tema de abertura do Conversas de Impacto e Inovação no segundo dia do Congresso de Prefeitos que inicia nesta terça-feira, 24/9, na Arena Petry, em São José, na Grande Florianópolis.


Dividindo o painel "Força e diversidade", a prefeita de São Cristóvão do Sul e ex-presidente da Federação Catarinense de Municípios (FECAM), Sisi Blind, a prefeita de Fraiburgo, Claudete Gheller Mathias, e a prefeita de São Domingos, Eliéze Comachio, falarão sobre um tema que tem ganhado cada vez mais destaque na sociedade: a participação das mulheres na política.


O encontro que inicia às 9 horas tem por objetivo apresentar aos participantes do Congresso os desafios diários enfrentados pelas prefeitas, a valorização das lideranças femininas na política, os avanços que ainda são necessários, além de lançar olhar estratégico para o ano que vem, ano de eleições municipais. "Numa sociedade em que mais de 50% são mulheres, a participação delas na política é assunto absolutamente desafiante e central para a FECAM", afirma o diretor da Federação, Rui Braun.


O Brasil ocupa a 152ª posição no ranking mundial de representatividade das mulheres na política, de acordo com a União Interparlamentar Internacional (UIP), com base em dados de janeiro de 2018. A classificação levou em consideração o número de assentos ocupados por mulheres nos congressos. Em Santa Catarina, dos 295 municípios, apenas 24 são comandados por mulheres e outras 23 atuam como vices.


Para o diretor, essa desproporção entre mulheres e homens prefeitos, por exemplo, exige debate. Ele destaca que é necessário ter o compromisso e a responsabilidade de estimular cada vez mais a participação das mulheres, além de assegurar mecanismos de valorização da mulher na política.


Nesse sentido, o diretor destaca o PL 1.256/2019 que tramita no Senado e pede a extinção das cotas de 30% para candidatas mulheres nas eleições. Segundo ele, isso poderá ser um retrocesso a uma importante conquista e também fere princípios constitucionais que garantem igualdade de direitos para homens e mulheres.


"Um dos temas que motivou esse debate é a constatação de que há nesse momento um certo risco de retirada da cota de 30% das mulheres como obrigatória nos processos eleitorais. Entendemos que numa sociedade complexa como a nossa é preciso manter posicionamento de participação mínima das mulheres", garante.


PREFEITA E EX-PRESIDENTE DA FECAM


Prefeita pelo segundo mandato em São Cristóvão do Sul, no Planalto Serrano, Sisi afirma que o painel será uma oportunidade especial e importante para dar visibilidade a um grupo que hoje ainda é minoritário dentro do processo político do Estado. "Nossa participação no Congresso em um espaço exclusivo e com foco específico para as mulheres é fundamental para o crescimento e reconhecimento do nosso trabalho", afirma.


Segundo Sisi, a participação das mulheres aumentou nos últimos anos, no entanto, essa participação feminina ainda é tímida e limitada diante da falta de espaço que as próprias mulheres deixam de ocupar em função do formato histórico que sempre se estabeleceu na política no país. Por isso, espaço de debates como esse são fundamentais para que as mulheres se sintam à vontade e participem. "Temos que trabalhar esse tema para conseguirmos cada vez mais pessoas que se coloquem à disposição e que enfrentem essa batalha não apenas como figurantes, mas como mulheres comprometidas na defesa de uma democracia participativa", afirma.


Sisi reforça também que é preciso cada vez mais eventos e envolvimento da sociedade tratando do tema mulheres na política. "Precisamos trabalhar nossa participação na política de forma coletiva. Se os homens assumirem essa bandeira com consciência podemos ter sim cada vez mais a participação de mulheres em todos os espaços políticos", garante.






Flavia Mota





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